O CONSENSO IMPORTA?

Se me fizessem essa pergunta quando eu cursava o primeiro período de Direito, em meados de 2012, sinceramente, eu não saberia respondê-la. Talvez eu sequer soubesse explicar, de fato, o que o consenso significava ou qual seria sua relevância dentro do universo jurídico.

Para ser ainda mais honesta, ao final da graduação eu provavelmente conseguiria elaborar uma resposta conceitual, recheada de palavras bonitas e definições técnicas. Mas, mesmo assim, eu ainda não compreenderia a verdadeira importância do consenso para o Direito e, principalmente, para a vida das pessoas que enfrentam conflitos diariamente.

E antes mesmo de responder à pergunta que dá título a este texto, eu preciso contar como o consenso entrou na minha vida. Porque somente assim a resposta fará sentido, com verdade, profundidade e humanidade.

Eu me formei em Direito sem conhecer a dimensão transformadora que a palavra “consenso” poderia alcançar. Durante a graduação, tive contato com o tema em apenas uma disciplina: Mediação, Conciliação e Arbitragem. Era um conteúdo muito mais conceitual do que vivencial. Falava-se sobre o sistema multiportas, sobre métodos adequados de resolução de conflitos e sobre a possibilidade de solucionar disputas por meio do diálogo, evitando longas batalhas judiciais.

Naquela época, eu enxergava tudo isso como um portal promissor entre o Judiciário tradicional e uma nova forma de resolver conflitos. Parecia existir um mundo mais humano, mais pacificador, quase revolucionário. Mas, ao mesmo tempo, esse universo ainda parecia distante de mim. Era algo muito mais teórico do que prático. Uma ideia bonita, mas difícil de tocar.

E talvez eu não pudesse exigir mais de mim naquela fase. Afinal, foi um tema que me foi apresentado de maneira limitada. Não havia profundidade suficiente para que eu compreendesse, na prática, o impacto que aquilo poderia gerar na vida real.

O curioso é que, mesmo sem compreender verdadeiramente o consenso, eu provavelmente conseguiria convencer alguém de que entendia do assunto. Sempre tive facilidade para falar, argumentar e persuadir. Mas hoje reconheço: conhecer conceitos não é o mesmo que compreender experiências humanas.

Foi apenas em 2020, durante minha formação em Mediação Humanista pelo Instituto Mediah, que eu verdadeiramente encontrei o consenso. E, mais do que isso, encontrei uma nova forma de enxergar o Direito, as pessoas e os conflitos.

Naquele momento, compreendi que o consenso vai muito além de acordos. Ele envolve escuta, acolhimento, responsabilidade emocional e humanidade. Ao longo dos anos seguintes, percebi como a advocacia consensual poderia transformar não apenas a vida dos clientes, mas também a forma como nós, profissionais do Direito, nos relacionamos com o sofrimento humano.

A consensualidade importa porque ela nos convida, antes de tudo, a enxergar o outro.

Ela nos retira da lógica puramente individual para nos colocar diante das dores, necessidades, emoções e interesses de quem está do outro lado. Não para anular direitos, mas para construir soluções possíveis, respeitosas e verdadeiramente sustentáveis para todos os envolvidos.

É como se a consensualidade resgatasse algo que, muitas vezes, a sociedade tem deixado escapar: a nossa própria humanidade.

Talvez você esteja se perguntando por que este texto parece tão filosófico. A resposta é simples: não existe consenso sem humanidade.

Acordos, negociações e até direitos garantidos perdem sentido quando ignoramos as emoções e necessidades humanas presentes em cada conflito. Não existe advocacia consensual sem escuta. Não existe consensualidade sem acolhimento.

Por isso fiz questão de contar um pouco da minha história antes de responder à pergunta inicial. Porque eu jamais conseguiria compreender o verdadeiro valor do consenso sem antes ouvir as histórias das pessoas que confiaram em mim suas dores, medos, angústias, expectativas e esperanças.

Antes mesmo do Direito, existe a vida humana que chega até nós pedindo cuidado.

Por isso, seja com meu cliente ou com a parte contrária em uma negociação, meu primeiro compromisso é com a escuta acolhedora, empática e humanizada. Somente depois vêm as normas, as estratégias jurídicas e os caminhos legais.

É exatamente por isso que a consensualidade importa.

Porque ela rompe com a frieza que, durante muito tempo, dominou a forma de tratar os conflitos humanos. Ela nos lembra que por trás de cada processo existem histórias reais, famílias, dores silenciosas e pessoas que desejam, acima de tudo, serem compreendidas e respeitadas.

A consensualidade representa uma nova forma de pensar, agir e construir soluções. Uma oportunidade de amadurecimento humano e dialógico que talvez muitos ainda não tenham aprendido a viver, assim como eu mesma, lá em 2012, quando mal compreendia o significado da palavra consenso.

E é justamente esse o meu convite para você.

Que você se permita conhecer uma nova forma de construir acordos, resolver conflitos e garantir direitos. Uma lógica em que todos possam ser respeitados e, de alguma maneira, sair ganhando.

O consenso nos convida diariamente a isso.

Você vem comigo?

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